
Um pouco mais sobre
Me formei médica em 2020, no auge da pandemia, um cenário que me ensinou, cedo, o valor da presença, da escuta e da liderança em meio ao caos. Na linha de frente do COVID-19, aprendi que cuidar não é apenas tratar doenças, mas sustentar o humano quando tudo à volta parece desmoronar. Minha primeira escolha foi a obstetrícia. Eu me encantava pelo início das vidas, pelo nascer. Mas, pouco a pouco, percebi que nas consultas as histórias iam além do corpo, havia algo mais profundo, algo que pedia espaço. Foi então que compreendi: minha vocação não estava apenas em acompanhar começos, mas em ajudar a reconstruir caminhos. Encontrei na psiquiatria o espaço onde ciência e alma se encontram. Desde então, mergulhei na especialização da área e segui me aprofundando em um tema que sempre me tocou, a dependência química, com todas as suas nuances de dor, busca e renascimento.
Hoje, dedico grande parte da minha energia ao mestrado em Vigilância em Saúde, onde estudo a intersecção entre espiritualidade e dependência química, um diálogo entre o invisível e o concreto, entre o que pode ser medido e o que só pode ser sentido. Acredito em uma psiquiatria que une conhecimento e criação:
que organiza o caos sem silenciar a alma;
que acolhe com sabedoria e conduz com propósito;
que transforma o cuidado em potência.